
Este ano foi bastante difícil, muitas idas ao hospital, muitas visitas aos médicos. Cansativo. Em outra visita ao hospital, resolvi olhar a banca de jornal, em busca de nada, procurando algo que informasse assunto nenhum e apenas devorasse meu tempo em mais uma jornada estéril de espera. Me deparei com alguns periódicos curiosos, um ensinava uma nova, porém não definitiva diga-se de passagem, receita para emagrecer a base de gelatina liquida, outro desmistificava fatos importantíssimos para a humanidade sobre uma novela global, e assim corria ladeira abaixo minha curiosidade pelo grande intelecto cultural destas capas altamente convidativas. Mais abaixo estava a edição de Janeiro de uma revista que aprendi a amar e odiar em curto e prazeroso espaço de tempo. A TRiP foi, ao menos pelo meu ângulo de visão, uma revista a frente de seu tempo. Em 21 anos de existência, eu percorri com exímio esmero todas as linhas de artigos e páginas não promocionais de pelo menos três ou quatro anos desta revista. Inicialmente a arte nas páginas concorria diretamente com a palavra, em alguns casos ficava quase impossível ler o que est
ava escrito. Eu achei essa forma nada convencional de produção literária, completamente louca e maravilhosa. Veja um trecho de um artigo que encontrei sobre o estilo TRiP de fazer revista: “…A pesquisa está dividida em quatro capítulos. O primeiro se refere à introdução do trabalho, o segundo diz respeito à legibilidade em textos impressos, o terceiro apresenta a teoria do desconstrutivismo no qual se insere o projeto gráfico da Revista Trip e o quarto capítulo é dedicado às conclusões. Após a análise dos dados, concluímos que a Revista Trip contraria todos os padrões de legibilidade presentes na bibliografia analisada.” Pode ser conferido na íntegra pelo endereço: http://www.fnpj.org.br/antigo/pesquisa_graduacao.htm. David Carson era o culpado dessa obra genial de desing gráfico. Esse marco na história que havia começado em 97 findará em 2001, quando minha assinatura e o gosto pela leitura desta revista foram cancelados. O projeto gráfico havia sido reformulado baseado no trabalho do engenheiro Paulo Mendes da Rocha, nada contra o cara ou seu trabalho. Mas para mim, foi o fim. Depois ainda arrisquei e adquiri outros exemplares mas estava pior parecia uma mistura de Revista Caras, com muitas páginas de propaganda e nenhum entusiasmo gráfico. Mesmo assim, decidi por comprá-la, por enquanto a leitura flui bem, apesar de haver necessidade de ler apenas as páginas da esquerda, pois em TODAS as páginas da direita há anúncios. Ganhar dinheiro é ótimo, mas do mesmo modo que em outras indústrias a ganância tem limites alguém, talvez os fundadores, deveria abrir o olho e ditar limites. A revista parece ter o dobro de paginas que havia em 2001, porém mais da metade é propaganda. Será que o negócio não é mais entretenimento e informação e apenas divulgação de marcas cujo o apelo a esportes radicais é a única saída? Continuo desapontado com o rumo que a revista toma, mas não se pode lutar a guerra dos outros e eles não podem ouvir nossos apelos pois não há grandes quantias de dinheiro atreladas às nossas críticas.
Acidentes acontecem, e alguns acidentes acontecem providencialmente, ainda bem! Estava deitado, prestes a me entregar aos braços da fada dos sonhos quando pensei em procurar alguma rádio audível, dentre o mar de rádios piratas que inva
dem o espaço de rádios com programações comerciais, é claro, mas de um bom gosto melhor do que a constante solicitação de dinheiro para obras da igreja de fulano de tal ou para manter no ar “…esta rádio que vos fala…”. Como a fada estava custando a fazer o seu trabalho continuei a procurar uma rádio, na verdade já havia encontrado as rádios que costumo ouvir (Cultura, Kiss, Brasil2000 ou Nova Brasil), mas seu set list não me agradava. Em uma das idas e vindas no dial, ouvi uma batida, simplesmente transcendental. Era reggae dos bons, como há tempos não havia ou se ouvia, simples reggae raiz, mas com cara de clássico. Ao final daquela bela viagem, ainda sentia meu coração bater no mesmo ritmo daquela música, inédita para mim, mas era como se há muito esperava por ouví-la como se já conhecesse e por ela sentisse saudade. Descobri o nome da música, mas a banda não. No outro dia percorri pelos intrínsecos caminhos de pesquisas pelo Google. Achei! O nome da banda, Soldier of Jah Army, em forma de siglas S.O.J.A, talvez por isso não encontrava pelo nome da banda, pois havia entendi SoulJah, ou SoJah. Enfim, o nome da música que ouvi é Rasta Courage, muito bem apresentada e expressada. Linda música e letra. Recomendo ouvir aos que gostam de reggae, recomendo ler a letra aos que não gostam.
Nos dias de hoje, não sabemos com vai acabar, nem se vai acabar a invasão ao Iraq. Motivos para não acabar os EUA tem de sobra, dinheiro tem de sobra então por que acabar com algo tão lucrativo. Assisti a um documentário muito interessante sobre a máquina de fazer dinheiro chamada também de “complexo militar-industrial” pelo ex-presidente do império norte-americano Dwight D. Eisenhower. Por que me refiro aos EUA como império? Muitos tem sua justificativa, mas assistindo ao docume
ntário “Why we Fight” muitas questões são respondidas. Quem se interessa pela história contemporânea ou para quem não se interessa e não quer ficar achando que o motivo é só o petróleo, fica a dica. Razões para a Guerra (2004).
Outro filme que assistí recentemente foi “Den Osynlige”, filme sueco, “O invisível” (2002) não saiu nas esferas comerciais nem nos cinemarks das vida. É uma boa história que faz você questionar se você está vivendo sua vida ou a dos outros, outras questões não menos importantes como o perdão, a traição e a expectativa q
ue alguns pais tem da vida e a projetam nos filhos causando uma bagagem muito pesada para carregarem. Há um motivo muito bom e pouco explorado pelo filme (nem precisaria) que é a beleza da protagonista Anneli (interpretado pela linda e talentosa Tuva Novotny ). Além de linda e talentosa ela é……. Cantora, tem uma voz doce e suave, como poderiam imaginar. Talvez uma promessa de grande atriz.
Até o próximo post ou próximo ano!
Escrito por Robson Grangeiro